cachorro-com-pulgas-cocando-petredeNeste post trataremos do eterno problema de pulgas e carrapatos em uma entrevista com o Médico Veterinário Marcel Pereira, da Merial Saúde Animal, responsável por produtos como o conhecido Frontline, com algumas dicas sobre como resolver o problema, cuidados a serem tomados, etc.

1 – Meu pet está com pulgas e/ou carrapatos. Como isso acontece?

As infestações surgem pelo contato do cão ou gato com um ambiente infestado ou por um outro animal que leva a infestação. Apesar de ser mais difícil, as pessoas podem levar alguns parasitas na roupa, por exemplo, dando origem à infestação do ambiente e, por consequência, do pet. Ainda, os carrapatos podem se deslocar por grandes distâncias, fazendo com que o foco de infestação seja a residência de um vizinho, por exemplo.

Uma única pulga no animal bota em média 50 ovos por dia, tornando-se centenas em pouco tempo. Esses ovos vão caindo pela casa, principalmente nos locais onde o animal permanece por mais tempo, dando origem à infestação ambiental. O prazo para surgir uma pulga adulta a partir de um ovo varia bastante, podendo ser de 10 dias até 6 meses.

Assim como as pulgas, os carrapatos também se proliferam em grande quantidade, infestando o ambiente e o animal, em busca de sangue para se alimentarem e continuarem a se reproduzir. Um erro comum é as pessoas pensarem que só se pega carrapato no mato. O carrapato do cão, por ex., prefere ambientes secos e altos, como frestas, e sobem muros, passando de um ambiente para outro.

2 – É verdade que no verão tem mais pulga? Qual a influência do clima tropical predominante na maior parte do País neste processo?

O clima quente faz com que o desenvolvimento das pulgas seja mais rápido, encurtando o tempo do ciclo entre os ovos até a fase adulta. Em média esse ciclo pode levar até 140 dias para que o ovo origine a pulga adulta, em períodos de baixa temperatura, diferente do que ocorre em períodos quentes, quando o ovo origina a pulga adulta em 10 dias. Isso pode causar a impressão de que há mais parasitas ou que os produtos indicados não estejam agindo da forma esperada.

3 – Falando em parasitas, principalmente carrapatos, vêm logo à lembrança problemas graves de saúde pública, como a febre maculosa. O que o proprietário deve fazer para que possa passear com seu animal tranquilamente por parques e praças públicas, sem medo de levar o carrapato para a casa?

É fundamental utilizar um produto devidamente registrado contra carrapato de forma preventiva, ou seja, no intervalo recomendado pelo fabricante. Em caso de dúvidas o veterinário também pode auxiliar na prevenção. Mas é importante lembrar que não é só em áreas verdes que os carrapatos podem representar um risco, como dito acima.

4 – Ultimamente temos visto casos em que aplicações de antipulgas e carrapaticidas têm gerado efeitos adversos nos animais de estimação, como irritações na pele, por exemplo. A que isso se deve?

Há casos em que os animais podem ser alérgicos, apresentando uma reação local. Mas esses casos são raros. A maior queixa ocorre quando se utiliza produto caseiro ou sem registro ou que não tem indicação para a espécie animal. Esse uso indevido coloca em risco a vida dos pets.

5 – Quais os cuidados que o dono deve ter na hora de comprar o carrapaticida correto para seu animal?

O ideal é sempre prevenir com frequência, com um produto seguro, indicado para uso em cães e gatos. O médico veterinário pode ser consultado para indicar qual o melhor produto para cada animal. No caso de o pet já estar infestado, é necessária a ação rápida, ou seja, que o produto comece a agir em poucas horas. E é de extrema importância prevenir doenças transmitidas por carrapatos. Para saber se o pet adquiriu alguma doença (Erliquiose e Babesiose) transmitida pelo parasita, é necessário que o animal passe por avaliação veterinária. Em alguns casos o pet não apresenta sintomas.

Porém, há algumas situações que dão indícios do agente causador, como febre, desânimo, diminuição do peso, hemorragia, anemia, entre outros.

6 – E para a aplicação certa?

É necessário seguir as instruções de uso do produto, que constam na bula. A consulta ao veterinário também é importante para a correta aplicação e eventuais esclarecimentos, em caso de mais dúvidas.

7 – Para a saúde do pet, qual a importância da aquisição de carrapaticidas consagrados pelo mercado, com credibilidade junto ao público consumidor, claro, devidamente registrados no Brasil?

O consumidor deve primeiro se certificar de que o produto tem registro, geralmente o número de licença está impresso na embalagem, facilitando a consulta. Os produtos registrados foram avaliados por órgãos reguladores, em relação à sua eficácia e segurança.

Produtos sem registro podem trazer riscos à saúde do animal e das pessoas, além de não terem sua eficácia comprovada e não representarem segurança e confiabilidade para uso.

8 – O uso de um carrapaticida aplicado de maneira errada pode trazer algum risco à saúde da família do dono do animal?

Todo produto deve ser aplicado de acordo com as instruções de uso passadas pelo fabricante. Daí a importância de se ler a bula antes do uso ou falar com o médico veterinário para ter as orientações corretas de aplicação, tipo de pet e repetição do produto, caso seja necessário.

9 – Que outras doenças, além da febre maculosa, poderíamos citar entre as relacionadas a pulgas e carrapatos que trazem riscos à saúde humana?

A doença da arranhadura do gato ocorre quando um gato transmite a bactéria Bartonella henselae, por meio de lambeduras ou arranhadura, para as pessoas. A infecção leva ao aparecimento de nódulos locais nas pessoas. A doença é transmitida entre os gatos pela pulga.

A dipilidiose é uma verminose que ocorre nos pets, sendo transmitida entre os animais pela ingestão de pulgas infestadas. A infestação nas pessoas ocorre quando elas ingerem de forma acidental os ovos do verme Dipylidium caninum, semelhante à tênia, presentes nas pulgas ou ambiente. Após a infestação, o verme se instala no intestino, podendo chegar a 50 cm de comprimento. Nesse caso, no homem os sintomas são dores abdominais, diarreia e perda de peso. Raramente a doença apresenta sintomas nos pets.

fonte: Pet Rede

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